Antropologia Missionaria

27/04/2012 14:59

ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA

  O termo antropologia é uma composição de duas palavras gregas: (anthropos, que significa homem) e (logos, que significa palavra, doutrina, ensino, fala). Por­tanto, a antropologia é a doutrina ou o ensino a respeito do ho­mem. Na antropologia missionária nos referimos à antropologia cultural no horizonte da responsabilidade e realidade missionária. A antropologia missionária instrumentalisa os conhecimentos, conceitos, teorias e hipóteses da moderna antropologia para a prática missionária; ela pesquisa o estudo da humanidade na música, literatura, filosofia, economia, história, geografia, religião, comunicação, letras e relações interpessoais. Tem como missão mapear, localizar e fazer as perguntas certas.

 

 

O SIGNIFICADO DA ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA PARA A PRÁTICA MISSIONÁRIA DO SÉCULO XXI

  Quando entramos numa nova cultura podemos facilmente ofender, mesmo sem querer, os sentimen­tos das pessoas locais. Portanto, a tarefa da antropologia missionária é permitir que o processo de conscientização e respeito mútuo entre povos e culturas cresça na vida dos missionários bem como entre crentes no mundo inteiro. É importante respei­tar os costumes, tradições e hábitos diferentes para evitar er­ros irreparáveis.

Na análise dos modelos padrões de vida e do comportamento humano nas diversas culturas, o antropólogo deve procurar respos­tas para três perguntas principais:

1.  Quais as funções dos vários aspectos duma cultura, isto é, comida, abrigo, transporte, organização da família, crenças religiosas, língua, valores, etc.?

2.O que faz um membro de uma sociedade agir como age? Em outras palavras, por que todos não agem da mesma maneira? Quais sãos as normas que determinam à conduta dos membros de uma sociedade?

3. Quais os fatores que determinam à conservação de certos aspectos culturais e a substituição de outros com o correr do tempo?

Como podemos perceber, não é suficiente apenas analisar os tipos de vestimenta ou comida de um povo, mas precisamos analisar também quem usa esta ou aquela roupa, e por que a usa. Exemplifi­cando: no Haiti, algumas pessoas usam sapatos, e outras não. Por quê? Será porque algumas gostam de sapatos, e outras não? Por falta de dinheiro? O motivo, na verdade, é um pouco diferente. É que lá o sapato é um símbolo de classe social.

AFINAL, O QUE É CULTURA?

  A palavra cultura se origina da palavra latina colere que significa cultivar, plantar. R. Friedli mostra que o termo cultura tem significado diferente do ponto de vista da inter­pretação de vida. Funcionalmente a cultura é um modelo ou paradigma que permite que uma sociedade sobreviva (nutri­ção, roupa, casa e saúde). Ela permite segurança na comuni­cação interpessoal (formas de autoridade familiar, tribal e es­tadual, responsabilidade social, conflitos, amizade) e dá res­postas às principais perguntas do homem (vida, morte, sofri­mento, alegria, origem e alvo da vida) para garantir a historia individual e coletiva.Para muitas pessoas, a palavra “cultura” significa o grau de estudos de uma pessoa mas esta não é a definição de um antropólogo; e muito menos a definição que vamos dar aqui. Definimos cultura como o conjunto de comportamentos e idéias característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta da socialização e aculturação verificadas no decorrer de sua história.  (Cultura nada mais é do que a maneira como vivemos uns com os outros).

“Cultura civilizada” e “cultura primitiva” são expressões comuns que designam os dois principais tipos de cultura humana, não em termos negativos, mas simplesmente em função do grau de desenvolvimento para industrialização de cada grupo. Geralmente a cultura chamada civilizada tem uma maior variedade de escolhas, todas aceitáveis dentro de uma sociedade. Mas, numa “cultura primitiva”, não há tantas possibilidades, tanto para o homem como para a mulher, convém frisar aqui que não é pelo fato de uma cultura ser primitiva ou pré-letrada (termo que usaremos como sinônimo de “primitiva”; estes povos não têm sua língua escrita.) que ela é erra­da ou inferior à nossa em certos aspectos ela dispõe de menos alternativas que a nossa, não se desenvolve para a industrialização ou invenções que melhoram sua vida e não tem uma língua escrita. O problema, então, é que pelo fato de outras culturas não terem esses aspectos, nós as desprezamos e as consideramos inferiores. Isto é grave, muitas vezes, em muitos aspectos, tais culturas têm conhecimentos muito mais profundos do que nós, sem que nunca tenha sido necessário passarem pelos nossos sistemas de escolaridade.

“O brasileiro Gilberto Cotrim diz que: A cultura pode ser considerada, portanto, um amplo conjunto de conceitos, símbolos, valores e atitudes que modelam uma sociedade. Abrange o que pensamos, fazemos e temos como membros de um grupo social”.